Às vezes, é preciso que a bola caia em nosso campo: uma gestão eficiente

“Às vezes, é preciso que a bola caia em nosso campo…”

Durante a minha vida como empreendedor, tive que conviver e aprender a dizer a frase que intitula este artigo. A ilustração é exatamente a de um jogo de vôlei, onde o objetivo é que o time não deixe, nem por um segundo, que a bola caia em sua quadra. Se a bola bate no chão, é justamente em uma área que não está protegida, não está coberta. Mas se este é o contexto, fazendo um comparativo com a vida empresarial, por que é fundamental que, algumas vezes, a bola venha a cair do nosso lado do campo?

O ideal de uma empresa é que todos os seus setores, seus processos e equipe funcionem perfeitamente. Sem erros, sem falhas, sem “áreas descobertas”. Porém, sabemos que o ideal nem sempre é o real e que os erros fazem parte do jogo.

Minha intenção aqui não é apresentar erros e como acertá-los. Acho que disso já temos literatura suficiente. Mas quero trazer uma reflexão sobre os “buracos” que podem existir e estarem aparentemente cobertos.

É muito bom quando a gente conta com uma equipe engajada. Sabe, aquele time que veste a camisa do seu propósito e luta junto com você. Como diria Michael Jordan, “O talento vence jogos, mas só o trabalho em equipe ganha campeonatos”. E é normal que dentro de um grupo existam aqueles que fazem além do que lhes é pedido e os que fazem menos do que lhes é pedido. Assim, numa rotina geral de equipe, se alguém deixa de fazer o que é afeto às suas funções, em algum momento, as tarefas não cumpridas a contento se tornarão um defeito no processo ou, sob a luz da nossa ilustração, um “buraco no chão da quadra”.

O ideal (e salutar) seria que essa deficiência na execução da equipe fosse detectada de pronto e corrigida, a fim de evitar que o acúmulo de tarefas não cumpridas ou mal executadas se torne uma detração às tarefas dos demais membros e, por fim, ao funcionamento da própria empresa.

Reclamações, cansaço e desestímulo de membros do time, alta-rotatividade de colaboradores, todos são pontos a serem considerados por uma gestão que precisa ser atenta e assertiva e pronta a identificar os “buracos” visíveis.

Ocorre que, muitas vezes, essa detecção é atrasada ou impedida pela atuação do alguém acima da média. Aquele que faz até o que não lhe é pedido. O que vê o colega não cumprir suas tarefas e, preocupado com a empresa, as coleta e as executa por si só, sem reportar o defeito no processo a quem tenha competência para corrigi-lo.

Certa vez, em uma empresa da qual fiz parte, meu sócio me relatou a respeito de um fato que presenciou. Chegou na empresa mais cedo do que o habitual e se deparou com uma colaboradora limpando a recepção da empresa. A surpresa veio pelo fato de que ela exercia uma função na área de Comunicação, e não na de Manutenção e Conservação. O que havia ocorrido: a auxiliar de limpeza não havia chegado no horário certo e ela, preocupada com os clientes que chegariam para uma reunião matutina, apressou-se em “tapar o buraco”.

Sem dúvida, sua atitude demonstrou um incrível compromisso e dedicação com a empresa! Louvável, por sinal. Porém, se meu sócio não tivesse chegado cedo, teria o problema (que era frequente) chegado ao seu conhecimento para tratamento da situação? Ou teríamos seguido até a uma situação limite de desgaste da tal colaboradora, que nos era importantíssima para o setor em que estava?

É essa a temática que eu quero enfrentar aqui neste texto. O comportamento acima da média pode se tornar um problema numa empresa onde os processos não estão consolidados e bem definidos para que, em qualquer sinal de mal funcionamento, tenha seu fluxo colocado no eixo, sem sobrecarregar outra parte da equipe. Reclamações, cansaço e desestímulo de membros do time, alta-rotatividade de colaboradores, todos são pontos a serem considerados por uma gestão que precisa ser atenta e assertiva e pronta a identificar os “buracos” visíveis, mas também os encobertos pelos que preferem fazer do que encaminhar a falha ao gestor.

O que fazer? Esse é o ponto chave. Invista nos acima da média. Vá moldando a sua equipe, definindo estratégias, treinando os seus membros constantemente, incentivando-os a superar os seus limites. Mas principalmente: ensine-os a reportarem os defeitos, as inoperâncias, os desvios no processo ao gestor. Mostre para eles que “às vezes, é preciso que a bola caia em nosso campo” para que os erros sejam aparentes e, assim, possam ser corrigidos. Isto é gestão!

Leonardo Carraretto é jornalista, empresário, consultor, professor de pós graduação e palestrante. Atua há 20 anos no mercado de marketing e comunicação. Especialista em marketing, inovação e educação. É um dos embaixadores no Brasil da Singularity University, a principal referência de ensino sobre inovação na atualidade, onde também estudou. Desenvolveu um carreira em torno da tecnologia, criando projetos e produtos inovadores em todo país. Já teve agência de propaganda e já atendeu Google, Itaú, Bradesco, Afiliadas Globo, Governos e diversas grandes, médias e pequenas empresas brasileiras. Professor Convidado do Curso de Férias da EPSM e de Pós Graduação da Fucape. É colunista da Revista ESBRASIL (coluna Mindset). Articulista de portais, jornais, revistas e rádio. Produz vídeos diários sob a hashtag #Inovação365 incentivando uma vida mais inovadora. É fundador da WIS Educação, escola de inovação para mercados em disruptividade, que atua em SP, RJ, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Vitória/ES e também da DOM School, empresa de gestão de ambientes digitais de aprendizagem e do Instituto Moda Viva.

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