Pessoas: o ponto central da Transformação Digital - Blog WIS Educação

Pessoas: o ponto central da Transformação Digital

“É que a gente sofre tanto por tudo que se desfaz
O infinito é tão distante, pra frente ou para trás”.
(Leonardo Gonçalves)

Um dos maiores desafios do nosso presente é aceitar que já não temos mais controle sobre muitas coisas (se é que um dia tivemos). O mundo tornou-se incerto, nada estável. É o tal do mundo VUCA(1), que você já deve ter lido a respeito pelo menos umas 50 vezes.

Não temos respostas prontas. Se fomos ensinados a responder às perguntas, hoje precisamos criá-las(2). Questionar e ser líder de nós mesmos é, sem dúvida, um dos maiores desafios da nossa geração.

Estamos em 2019 e nunca falamos tanto sobre transformação digital, soft skills, carreira, propósito e felicidade no trabalho. Parecem ser os temas do momento, né? Só que, acredite: tudo isso já nos atinge há bastante tempo. A minha vez de pensar sobre isso aconteceu ainda em 2015.

Minha carreira começou no Direito. Graduei-me em 2010 e iniciei a minha jornada na área jurídica. Transitei por 3 funções diferentes nesse período, em instituições diferentes. Em 2013, fui para aquela que acreditava ser a carreira da minha vida. Só que, na prática, a idealização se mostrou um pouco diferente do que eu esperava. O propósito que eu buscava encontrar ali, não existia. Na verdade, foi quando percebi que o meu propósito estava ali dentro de mim, sim, mas ele não encontraria ressonância onde eu estava.

Em 2015, iniciei um processo de questionamento e de muitas, muitas dúvidas. Largar um emprego estável? Abandonar os 5 anos de estudos na Faculdade? Eu nem mesmo tinha um plano para os próximos passos. Mas aí, eu comecei a perceber que o mundo estava indo pra um outro caminho e que isso precisaria ser mais forte do que as minhas dúvidas. Blockchain, novos movimentos de luta por direitos, novas tecnologias. Havia tanto a fazer fora do serviço público! Seria muito desafiador e isso me assustava (quer dizer, ainda assusta), mas esse caminho incerto fazia muito mais sentido. Ah! E como é libertador encontrar sentido no que fazemos.

Mudar não é fácil. E hoje, a velocidade da mudança é o que faz toda diferença. Sabe inovar? Pois é, pense nisso aplicando em você mesmo. É esse o ponto: todos precisamos ser líderes da mudança, pois isso nos permitirá alcançar protagonismo na disrupção pessoal e velocidade suficiente para acompanharmos a exponencialidade das transformações.

“Mudar não se trata apenas de abraçar o novo, mas de desistir de algumas coisas antigas também”. (Martin Danoesastro)

Pense comigo e reflita: o mundo não mudou. Ele está em constante mudança! E eu confesso que não é confortável viver num lugar nada estável e incerto quanto esse. Seria muito bom se ele fosse previsível (e você deve estar aí concordando comigo). Mas não é e precisamos seguir em frente (aqui seria um bom momento para um abraço coletivo).

Quando pensamos em transformação digital, precisamos ir além e enxergar que, além de significar uma mudança de mindset, a transformação digital tem um impacto profundo na nossa forma de trabalhar.

Ok. Você deve estar pensando nessa mudança como a máquina que substitui o trabalho humano, como a inteligência artificial que pensa 10 vezes mais rápido que o cérebro humano(3) ou coisas associadas à tecnologia. Mas quero te convidar a pensar além e de forma mais simples.

“…moldamos nossas ferramentas, e então as ferramentas nos moldam.” (Tom Chatfield)

As mudanças que temos enfrentado estão exigindo de nós habilidades ainda mais humanas. Todos estamos perdidos – em níveis diferentes, mas estamos. Empresas e pessoas. E todos queremos encontrar o caminho e sobreviver nesse cenário tão incerto e confuso.

É natural – embora muito doloroso – que nesse processo pessoas percam seus empregos, que anos de carreira se transformem em pó, que você se sinta um tanto perdido sem saber por onde (re)começar. Também é natural que as vagas da sua empresa não sejam preenchidas, que os bons talentos não permaneçam, que o lab de inovação que você criou vire mais um espaço decorativo no ambiente e não devolva à corporação os resultados esperados.

A transformação digital começa nas pessoas. Começa na cultura. Começa no Mindset. Começa na forma de relacionar de uma equipe. Começa na maneira como você enxerga o aprendizado e a busca por novos conhecimentos. Começa na sua evolução pessoal.

Você não precisa começar largando o seu emprego atual. Nem mesmo fazendo um monte de cursos por aí. Sugiro que comece refletindo após ler esse texto. Compre alguns livros (tenho vários para indicar, basta me chamar no LinkedIn). Interaja com pessoas de áreas profissionais diferentes da sua, com pessoas mais velhas e mais novas, com quem pensa diferente de você. Vá a meetups, palestras, eventos de networking (existem vários todos os dias, em qualquer lugar do Brasil ou do mundo), abra-se para o novo.

Léo Carraretto afirma que abraçar a novidade é um processo social. Segundo ele, “o relacionamento nos ajuda nesse processamento e organização do que foi apresentado. A troca de informações é uma das principais formas de construção de conhecimento” (Livro Disrupte-se). Enxergar a diversidade é um passo fundamental para a sua disrupção pessoal.

Fácil? Nem um pouco. Extremamente desafiador. Só que aí, eu chamo Marie Curie pra nos lembrar que “a vida não é fácil para nenhum de nós. Mas e daí? Todos precisamos perseverar e, acima de tudo, confiar em nós mesmos“. (Tom Krznaric)

E aí? Vamos liderar a mudança?

Luciana Canavese

Luciana Canavese

Co-Founder e Head de Cultura e Experiência na WIS. Apaixonada pela vida, pela natureza e pelo conhecimento, acredita que o mundo pode ser um lugar melhor se transformado por pessoas incríveis.

Referências:

(1) Você já deve ter ouvido trocentas vezes sobre o conceito de mundo VUCA, conceito em inglês que abrange as seguintes qualidade: volátil, incerto, complexo e ambíguo. Sugiro a leitura dessa reportagem.

(2) Não é à toa que um dos treinamentos mais procurados pelas corporações e pelos profissionais antenados com a era exponencial são os nos ensinam a questionar, em especial através do Design (Design Thinking, Service Design, dentre outros).

(3) Quando digo que algumas coisas já mudaram, afirmo que há muito sendo feito. Em termos de Inteligência Artificial, te convido a assistir ao vídeo da IBM sobre sua tecnologia de IA: o Watson. Veja aqui: Bem-vindo à era cognitiva.

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