Design Thinking: Inovação com Resultados para Problemas Complexos

Temos o privilégio de viver no momento de maior transformação da história da humanidade. Nunca se produziu tanta informação e o mundo nunca foi tão complexo. À medida que a informação se torna cada vez mais acessível, ela vira um importante instrumento de transformação e empoderamento de empresas e pessoas.

Como uma grande onda de inovação, surgem as startups criando novos modelos de negócio. As grandes corporações passaram a ver como caminho sem volta a nova lógica de negócios e já consideram a inovação como principal diferencial competitivo que possam ter. 

Se conceitualmente a inovação é o processo de entendimento de uma situação para se criar algo novo que tenha valor para os envolvidos, é preciso conseguir entregar isso na prática para que a inovação se torne resultado para as empresas e seus públicos.

O design tem sido a abordagem mais praticada e ensinada pelas consultorias de inovação, pelas empresas e escolas de negócio quando o objetivo é inovar. Convencionou-se chamar de Design Thinking o modelo mental que veio da prática do design, anteriormente focado no desenvolvimento de produtos e interfaces gráficas, mas que ao longo dos últimos 20 anos habituou-se a navegar por problemas complexos, como sistemas, processos, serviços e modelos de negócios, sempre com ótimos resultados quando bem aplicado. 

Mas o que o design thinking tem que o permite gerar ótimos resultados e ser tão praticado por tanta gente pelo mundo todo?

Embora o design esteja ganhando corpo para navegar na complexidade dos sistemas e das organizações, seu conceito é simples. Imagine um problema complexo dentro de uma empresa, que dificulta o trabalho de diversas pessoas e gera desperdícios para a organização. Agora imagine se para resolver esse problema uma equipe procura entendê-lo a fundo, ouvindo todas as partes envolvidas, criando dinâmicas para que todos possam ter a chance de dar uma solução para o problema e ainda testar as soluções antes delas serem implementadas para evitar erros. Será que tomando todos esses cuidados e envolvendo as pessoas certas as chances de se criarem soluções que efetivamente resolvam aquele problema não são muito maiores?

Pois assim é o design: conceitualmente simples, mas com potencial de resolver problemas bastante complexos. A simplicidade deve ser atrelada ao design no que diz respeito ao seu conceito. O design não é uma metodologia fechada, é uma abordagem, um modelo mental que utiliza alguns princípios para enxergar e tratar os problemas. São eles: a empatia, a colaboração e a experimentação.

Empatia é olhar para o problema com os olhos de quem vive o problema de fato. O exercício de entender o que o outro está sentindo, pensando. Se está frustrado, animado ou confuso ao utilizar um produto ou serviço. Entender o quanto aquilo impacta na vida dele, antes mesmo do primeiro contato com o produto/serviço, pois antes de consumidor ou usuário, ele é uma pessoa que tem sua vida, seus problemas e desafios diários. Mas além de entender quem está do lado externo, é preciso compreender quem são as pessoas que estão executando aquele processo do ponto de vista interno. Porque tem que ser bom para eles também, porque não? 

Colaboração é fazer junto. É entender que duas cabeças pensam melhor que uma e que pontos de vistas distintos constroem soluções mais criativas e maduras. Visualmente a imagem que se tem são várias pessoas em uma sala com seus post-its na mão em um agradável momento social e intelectual. Por trás disso, ferramentas preparadas para orientar as discussões e os facilitadores cuidando do andamento das dinâmicas. Momentos criativos, divertidos e produtivos. 

É importante que qualquer ideia que se crie, antes de virar uma solução, passe por um processo de maturação para que evite chegar ao mercado ainda crua, gerando custos de refação ou prejuízos para as organizações. Errar antes é a função do princípio da experimentação. Se inovação é a aversão aos riscos e dar a cara a tapa para errar, que o erro surja na hora certa.

A partir desses princípios, o design vai ganhando corpo, as pessoas vão gostando da abordagem e as empresas vem praticando o design para criar inovações que gerem resultados para os negócios. E você, vai ficar de fora desse movimento?

 


André Taveira é instrutor na WIS Educação, Business developer da Kyvo Design-Driven Innovation e co-fundador do Futuramos.

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