Nossas Empresas Precisam de Cultura

Tive a oportunidade de participar de um evento nacional dedicado a discutir a Cultura Empresarial como fator de excelência. A cultura, que tradicionalmente está sempre delegada a área de Recursos Humanos, estava enfim na mesa de líderes, profissionais de inovação e CEO’s do Brasil inteiro. No palco, entre um palestrante e outro, de varejistas, consultorias e até mesmo uma empresa de desmanche de caminhões, sempre aparecia um líder de uma startup, formações empresariais com modelo de negócio inovador e escalonável, que têm se utilizado amplamente da construção de um forte e embasado código de cultura como fator de sucesso. Este fato vem chamando a atenção de gestores de empresas dos mais variados setores e tamanhos, e algumas lições que nos chamaram a atenção eu compartilho com você, leitor, neste momento.

A primeira delas é que empresas precisam de cultura diferenciada e esta sempre será o grande diferencial dela para as demais. A estrutura, produto ou serviço podem ser copiados por outras companhias. Até mesmo pode haver a contratação de profissionais chaves de uma empresa para outra para absorver o conhecimento. Mas a cultura é algo único, pertencente àquele grupo de pessoas e é impossível ser duplicada por concorrentes. Portanto, cuidar da sua cultura significa que você terá menos preocupações com a concorrência. E o melhor disso: só depende de você!

Outro ponto essencial na rotina e formação da empresa é que, tão importante quanto saber contratar seus funcionários, é saber demitir. Nas startups, normalmente são três grandes esforços empreendidos: criar um excelente produto, criar uma excelente “máquina” de vendas que promova o crescimento da empresa e criar uma “máquina” de contração. Entenda por máquina de contratação um formato para encontrar e gerir talentos como pilar de sustentação do negócio. E isto requer saber criar planos de substituição para colaboradores que estejam com tarefas importantes, mas com baixo desempenho, e também avaliar quem são os seus melhores colaboradores e se eles estão com as missões mais importantes para a empresa.

Parece óbvio, mas ainda são comuns empresas que só demitem quando a situação envolvendo determinado funcionário é crítica. A conclusão que chegamos é que demitir é sinal de respeito ao outro. Paradigma? Não, apenas uma forma de permitir ao próximo explorar melhor o seu potencial, agregar à empresa e ao seu desenvolvimento profissional.

Entre tantas empresas que iniciam e encerram suas atividades todos os dias, o comum a todas é a vontade de se diferenciar. Nesse objetivo, muitas organizações apostam nos “perks”, que são as liberdades ou mimos que as startups oferecem, como comida liberada, poder andar descalço, trabalhar de bermuda, festas temáticas, entre outros. A atitude é legal e costuma agradar a grande parte dos funcionários. Mas, o que realmente garantirá a evolução e melhor desempenho do seu colaborador é o aprendizado. Se ele não estiver aprendendo, vendo progresso no seu trabalho e na empresa e com o sentimento de pertencimento verdadeiro à empresa, qualquer iniciativa para entreter o colaborador será inútil.

 


Leonardo Carraretto é Diretor Executivo da WIS Educação e especialista em Inovação, Marketing e Comunicação.

1 Comment

  1. Bianca Rossini

    MUITO BOM! Sugiro um artigo de “como criar/mostrar a cultura da empresa”. O que acha, Leo? 😉

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